Balneário Camboriú / SC - quinta-feira, 24 de abril de 2014

Sol e Vitamina D

Desde que se estabeleceu uma clara associação entre banho de sol e câncer de pele, nós, dermatologistas, insistimos muito na proteção. Quanto mais protegidos estivermos dos raios solares, melhor. E entre todos os raios, o mais cancerígeno é o ultravioleta tipo B (também chamado de UVB), mais presente entre as 10 horas da manhã e as 4 da tarde.

Mas o sol é necessário para a nossa saúde. O banho de sol estimula nossa pele a produzir vitamina D, fundamental na absorção de cálcio. E o responsável por esse estímulo é ninguém menos que o UVB. Em outras palavras, o perigoso UVB é também importante para nossos ossos. Nas crianças, a falta de vitamina D leva ao raquitismo e a deformidades nos ossos. Nos adultos, deixa os ossos frágeis e favorece a osteoporose.

Recentemente foram descobertos outros benefícios da vitamina D: ela parece diminuir a chance de desenvolvermos alguns tipos de câncer, como o de mama, próstata, cólon e pâncreas. E também pode ajudar em doenças como diabetes, esclerose múltipla e hipertensão. É fácil entender o tamanho da discussão e do debate médico que essas informações causaram.

Nossa necessidade de vitamina D

A necessidade diária de vitamina D depende da idade. Até os 18 anos, precisamos de 400 unidades internacionais (UI) ao dia. Dos 19 aos 50 anos, bastam 200 UI. Dos 51 aos 70, novamente precisamos de 400 UI, e mais para frente precisamos de 600 UI.

É complicado conseguir toda essa quantidade de vitamina na alimentação. O motivo? De todos os alimentos, o mais rico em vitamina D, com 1.360 UI em cada colher de sopa, é o óleo de fígado de bacalhau. Pois é, bleerg. Se você tem estômago para isso, bom apetite. O arengue é outra ótima fonte da vitamina: 85g de arengue têm 1.300 UI. O salmão também é muito bom: 100g fornecem 360 UI da vitamina. O problema é que as boas opções não vão muito além disso. Os outros alimentos não ajudam muito. Por exemplo, a gema de ovo tem só 20 UI. E 100g de fígado de boi têm 15UI.

Os alimentos ao natural são geralmente pobres em vitamina D, mas existem outros enriquecidos com essa vitamina. Nos Estados Unidos, quase todas as marcas de leite de vaca ou de soja são enriquecidas, assim como os cereais matinais prontos para o consumo, muitos pães, iogurtes e sucos de laranja. Mas no Brasil, infelizmente encontramos apenas poucas opções de leite, iogurte e achocolatados enriquecidos com vitamina D. Dada a dificuldade de conseguirmos a vitamina através dos alimentos, restam duas opções: tomar um suplemento, que deve ser prescrito por um médico, ou tomar um pouco de sol.

Bastam poucos minutos por dia

Para a sorte da nossa pele, a quantidade necessária de sol que estimula uma boa produção de vitamina D é pouca. Como não vivemos na Polônia, e sim em um país ensolarado, o sol que pegamos no dia-a-dia costuma ser suficiente. O estímulo que o UVB dá é potente, e bastam apenas 5 a 20 minutos de exposição entre 10 da manhã e 4 da tarde (quando a UVB está presente em maior quantidade), três vezes por semana, em uma área de pele como face ou mãos ou braços.

Quanto mais claro seu tom de pele, menor o tempo necessário dessa exposição ao UVB. E conforme a idade vai avançando, o banho de sol deve ser um pouco mais demorado. Passado esse curto tempo de exposição, o melhor a fazer é aplicar o protetor solar para se proteger contra o câncer de pele. Existe um exame laboratorial, feito através de uma amostra de sangue, que mede seu status de vitamina D. Dependendo do resultado, seu médico pode orientar o uso de um suplemento da vitamina.

(fonte: Veja Online - Coluna Espelho Meu)